Uma chance para a indústria

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A indústria dos próximos anos terá de se basear em duas vertentes: um modelo de negócio que tenha seu centro na melhoria da eficiência, da produtividade e qualidade e no maior relacionamento com o exterior (exportações, importações e internacionalização da produção, quando viável).

Não é algo simples, mas essa rotação pode ser feita em uma década se o País voltar a crescer, como acredito. Entretanto, a mudança tem de começar agora.

Dada a crise local e a Revolução Tecnológica que avança no mundo, temos de pensar numa dupla pauta, simultânea: a do século 20 e a do século 21.

No primeiro caso, é necessário reduzir os conhecidos entraves à produtividade, nas áreas de ambiente de negócios, tributação, relações trabalhistas e infraestrutura.

Sem melhoras nesses quesitos, não há chances de se alterar o curso recente de elevações sistemáticas nos custos de produção e da existência de baixa competitividade. A pauta do século 21, a meu juízo, tem de começar a enfrentar a questão da qualidade (simultânea à da universalização) e da neutralidade. Além do óbvio caso da educação, falo aqui da qualidade da oferta de energia elétrica (oscilações, ciclagem e quedas de rede), da água, da telefonia, da internet de banda larga e da intermodalidade dos transportes.

Não existirá indústria 4.0 com serviços de infraestrutura caros e ruins. Ao mesmo tempo, aqui está uma grande chance para esses segmentos. O famoso binômio crise/oportunidade parece evidente e pode ser bem aproveitado com adequada regulação, concessões e privatizações, com o investimento público.

Uma das características da moderna indústria é a sua flexibilidade e organização em cadeias. Ora, isso significa não punir a terceirização, nem prejudicar a formação de times temporários de empresas e profissionais para o desenvolvimento de projetos específicos.

Significa não onerar desnecessariamente a relação entre fornecedores e compradores e, menos ainda, a ligação com os segmentos distribuidores e consumidores no final da linha.

É muito difícil fazer isso sem um IVA universal. A reforma do ICMS e do PIS-Cofins será um bom começo. É preciso, também, enfrentar a questão dos incentivos fiscais (quando estes apenas reduzem o custo financeiro da operação), que têm de ser substituídos gradativamente por atrativos reais nas respectivas regiões.

Olhamos até agora para questões que estão fora das empresas. Entretanto, existe uma revolução dentro das plantas industriais e que foi batizada de indústria 4.0, que tratamos neste espaço recentemente.

Não se sabe ainda até onde vai essa revolução. Entretanto, é certo que a produtividade vai se elevar muito e afetar a competitividade das regiões.

Como mostrou pesquisa recente da CNI – Desafios para a Indústria 4.0 no Brasil –, estamos bem distantes do que está ocorrendo fora, pois menos da metade das companhias se utiliza de pelo menos uma das dez tecnologias digitais listadas.

Entretanto, como avançar nessa área?

Uma boa forma de começar é construir uma visão de futuro bem detalhada e elaborada. É o que fez o setor têxtil e de confecções, num trabalho conduzido pela ABIT / Senai-CETIQT / ABDI e que envolveu dezenas de técnicos, acadêmicos, empresários e executivos aqui e lá fora, por quase três anos.

Ali, é demonstrado que uma área tradicionalmente comandada por baixos salários e limitado conteúdo tecnológico está se transformando rapidamente em um segmento de elevada tecnologia, com novos materiais e grande grau de inteligência, comandado pela ponta da linha. Nesse sistema, grandes mercados, como o nosso, atrairão a produção.

A partir daí, inúmeras ações, por parte de empresas e governos, podem se seguir.

Com reformas e a retomada do crescimento nossa indústria tem uma boa chance de voltar a ter uma expansão sustentável. Não é algo fácil, mas, é possível.

Fonte: Estadão Economia, por:

COLUNISTA

José Roberto Mendonça de Barros

 

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