Indústria 4.0, será que todos estão de fato preparados? – Por Renan Cardoso

O tema indústria 4.0 tornou-se o assunto do momento. Se por sua vez a primeira revolução industrial trouxe a mecanização, a segunda ofereceu a eletricidade e os sistemas seriados de produção, junto com a terceira acompanhou-se o surgimento da internet, dos computadores, da eletrônica, robótica e automação. Já a quarta revolução industrial está trazendo consigo a conectividade e o digital, o “online” se faz presente em todos os aspectos.
            Robôs colaborativos, drones, impressora 3D, manufatura digital, big data, cloud, carros autônomos, internet das coisas, realidade virtual, esses e muitos outros assuntos não param de ser comentados nas redes. Para se ter uma ideia da importância deste tema, este ano, a quarta revolução industrial é destaque no fórum econômico mundial de DAVOS.
            Não se pode discordar que a tecnologia vem avançando a uma velocidade descomunal, como já era previsto pela Lei de Moore. Hoje estamos todos em rede e interconectados de alguma forma, a palavra online pode definir bem as transformações que estamos vivenciando. A quantidade de smartphones, informações e dados gerados, disponibilidade de conteúdo em qualquer hora e qualquer lugar, tudo isso vem moldando a sociedade em que vivemos.
            Se por um lado a tecnologia tem evoluído e se mostrado uma grande aliada para as comodidades e desenvolvimento humano, bem como da indústria, quais são os impactos sociais, culturais e econômicos dessa aceleração tecnológica? Quem de fato está preparado para essa nova revolução industrial?
            A transformação acarretada pela indústria 4.0 implica em inúmeras adaptações para as indústrias que desejam evoluir para esse novo paradigma, dentre elas podemos citar:
  1. Necessidade de integração entre todos os sistemas da cadeia de valor, evitando dessa forma que haja as tão famosas “ilhas de tecnologia”;
  2. Disponibilidade de informação rápida e em qualquer lugar, evidenciando a necessidade do uso da nuvem e de tecnologias móveis;
  3. Automação e robotização colaborativa, criando o link entre o trabalhador humano e os equipamentos, com o intuito de tornar os processos mais ágeis, flexíveis e produtivos;
  4. Internet das coisas, realidade virtual e realidade aumentada, permitindo uma fusão entre o real e o digital, tornando os processos, produtos, recursos e pessoas mais interconectados.
            De modo geral, as indústrias que estão falando de migração para a indústria 4.0 são aquelas que já vivenciam pelo menos há 10 anos a terceira revolução industrial, ou seja, já possuem bem firmados esses conceitos e práticas nas suas atividades cotidianas. É praticamente impossível para uma indústria que pouco conhece sobre automação e robótica querer dar um salto para essa nova revolução.
            Analisando o cenário da indústria, temos as grandes, médias e pequenas empresas concorrendo espaço no mercado econômico. Se ponderarmos a evolução industrial para o cenário de cada uma delas, pode-se dizer que em média a realidade da indústria atual está situada entre a segunda e a terceira revolução industrial. Isso ocorre, pois apenas uma pequena parcela está vivenciando os benefícios trazidos com a terceira revolução industrial e conseguem enxergar alguns possíveis passos a caminho da indústria 4.0. A maior parcela, ou seja, as pequenas e médias empresas estão vivenciando ainda a transição entre a segunda e a terceira revolução, de modo que muitas delas não possuem em sua rotina de trabalho processos automatizados e/ou robotizados, tão pouco dispõe de estruturação para suportar essa nova transformação.
            Empresas que já estão no mercado, mesmo empresas de grande porte, já estão enfrentando dificuldade em adaptar seus sistemas para se enquadrar as mudanças impostas por essa nova evolução. Verdade seja dita, as empresas greenfield, ou seja, aquelas que estão surgindo nos dias de hoje, possuem maior facilidade para se adaptar as mudanças impostas pela indústria 4.0, pois podem despontar já imersas nesse novo conceito.
            Estudos mostram que muitos empregos são gerados por pequenas e médias empresas. Outros ainda revelam que até 2020 praticamente tudo será digital. No entanto, o cenário visto nos dias de hoje, é que apenas uma pequena parcela das pequenas e médias empresas adotaram tecnologias para se tornarem digitais. Como preparar a transição dessas empresas para que possam continuar competitivas no mercado e possam continuar gerando empregos?
            Além desse fator, outro ponto crucial está no gap existente entre o mundo acadêmico e a indústria. Essa disparidade esta se tornando cada vez maior, se não ocorrer um alinhamento entre ambos os mundos, profissionais para essa nova realidade emergente serão cada vez mais escassos. Isso irá ocasionar um dilema onde haverá um número elevado de vagas disponíveis e ao mesmo tempo uma grande taxa de desemprego por falta de qualificação. Como preparar a nova geração de trabalhadores para esse novo cenário da indústria?
            Acredito que esses questionamentos devem ser estudados com cautela, para que seja possível traçar uma estratégia que permita essa transição, de modo a adequar as modificações necessárias em cada um dos segmentos industriais, tornando possível a migração para essa nova tendência. Tudo isso deve ser pensando para que os impactos econômicos, sociais e culturais sejam minimizados durante esse percurso.