Setor automobilístico está a caminho da indústria 4.0

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Avanços de novas tecnologias, baseados em digitalização e automação, estão entre os novos desafios que as fábricas brasileiras terão de superar para competir

Alan Petersime/Rolls Royce/Divulgação - 16/3/16

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Brasília e Washington – Setor mais duramente atingido, nos últimos anos, pela crise da economia, a indústria brasileira se encontra diante de um novo desafio: o avanço de novas tecnologias, baseadas na intensa digitalização e automação, que está revolucionando os métodos de produção e redesenhando o mapa global da competitividade entre países. Em nações que lideram esse movimento, como Estados Unidos e Alemanha, indústrias de ponta estão investindo cada vez mais em smart factories ou fábricas inteligentes. Com o uso de sensores e softwares sofisticados, as máquinas, que antes apenas respondiam a comandos externos, agora são capazes de reunir milhões de informações, processá-las e interagir com outras máquinas – e até com outras fábricas. Tudo, quase sem intervenção humana, por meio da internet.

Os novos sistemas de produção estão dando forma ao que vem sendo chamado de quarta revolução industrial. As três primeiras vieram com a invenção da máquina a vapor, no século 18; a massificação das linhas de montagem, no início do século 20, e a integração de computadores à produção, a partir dos anos 1970. Especialistas estimam que ainda correrão 15 a 20 anos para que a nova mudança tecnológica se consolide em escala global, mas são taxativos em dizer que ela é irreversível.

“É uma nova manufatura que está surgindo”, diz Helmuth Ludwig, vice-presidente executivo da subsidiária norte-americana da alemã Siemens, uma das empresas que está à frente dessa tendência. A nova indústria promete não apenas ser mais eficiente, mas revolucionar o relacionamento com o mercado. No futuro, diz Ludwig, as fábricas terão a capacidade de alterar sua configuração de forma rápida, modificando as características dos produtos para atender demandas específicas de clientes e consumidores. É o que vem sendo chamado de customização em massa.

ESTRATÉGIAS O tema está cada vez mais presente na agenda econômica dos países. Na Alemanha, que cunhou a expressão indústria 4.0 para definir a nova tendência, governo, empresas e centros de pesquisa interagem para apoiar o avanço dos sistemas produtivos. A Comissão Europeia definiu como meta que 20% do valor agregado à produção no continente deve vir do setor manufatureiro em 2020. Os EUA, que preferem usar a expressão manufatura avançada, veem na tecnologia a oportunidade de revitalizar o setor industrial e reverter a migração de empresas para outros países, em busca de mão de obra barata, que caracterizou as últimas décadas. O que conta, agora, não é o baixo custo do trabalho, mas a alta produtividade trazida pela digitalização. China, Coreia e Japão também aparecem como polos de desenvolvimento da nova manufatura.

Nyko de Peyer/Divulgação - 21/9/15

O Brasil está atrasado nesse terreno, embora abrigue empresas que usam tecnologia de ponta e tenham grau de excelência nos setores em que atuam. De maneira geral, porém, o país investe pouco em inovação e tem um ambiente regulatório considerado inadequado. Além disso, não tem uma rede confiável de internet em banda larga e forma poucos engenheiros e técnicos especializados, essenciais para o desenvolvimento da nova indústria.
Em março, o governo criou um grupo de trabalho interministerial com a tarefa de mapear a capacidade existente no Brasil nessa área, identificar gargalos e formular uma estratégia para inserir o país na rota do novo avanço tecnológico. A diretora de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Maria Luísa Machado Leal, reconhece as deficiências, mas diz que é possível recuperar terreno.

Para Maria Luísa, o país pode saltar etapas se houver articulação entre governo, setor privado e universidades, e se forem estabelecidas parcerias internacionais para absorver conhecimentos já desenvolvidos lá fora. Um dos problemas mais difíceis é que a atualização tecnológica requer investimentos, que estão em queda no país. Na avaliação dela, será preciso criar mecanismos de financiamento para apoiar a atualização do parque industrial. “A crise atual impede as empresas de definir grandes investimentos, mas temos que nos preparar para isso. Em pouco tempo, nossos principais concorrentes vão estar operando nesse novo ambiente tecnológico”, diz a diretora da ABDI.

 

Produtividade

O resultado vem na forma de redução de custos e maior qualidade dos produtos. Em Amberg, na Alemanha, uma unidade modelo da Siemens de produção de controles logísticos tem índice de apenas 12 defeitos em cada milhão de peças produzidas. A elevação da produtividade total da economia é outro efeito. Estudo da consultoria Booz & Company apresentado no Fórum Econômico Mundial, em 2013, estimou que um aumento de 10% nos investimentos dos países em digitalização pode resultar em acréscimo de 0,75% do PIB e diminuição de 1% na taxa de desemprego.

União e inovação

Nos EUA, a colaboração entre empresas, centros de pesquisa e universidades, com apoio do governo, tem acelerado os avanços na área da nova indústria. No Centro Comunitário de Manufatura Avançada (CCAM), no estado norte-americano da Virgínia, 28 companhias de ponta, como Alcoa, Airbus, Canon e Siemens, além da Nasa, utilizam equipamentos sofisticados e técnicos especializados para desenvolver pesquisas voltadas a melhorar os processos produtivos e a qualidade dos produtos que fabricam. As despesas são rateadas entre os associados. “É um modelo inédito de inovação aberta, que reduz os custos das empresas com pesquisa e desenvolvimento”, diz Joseph Moody, presidente e diretor-executivo do CCAM. Para manter o espírito colaborativo, o centro não recruta empresas concorrentes.

O governo da Virgínia incentiva a instalação de indústrias que estão na vanguarda da tecnologia. A poucos quilômetros do CCAM, a Rolls Royce Crosspointe produz partes e peças de turbinas para aviões. Na fábrica, toda digitalizada, há poucos funcionários – todos altamente especializados. Eles podem operar várias máquinas de uma só vez, e algumas funcionam quase que de forma autônoma. É possível, por exemplo, programá-las para produzir no fim de semana e voltar só na segunda-feira para ver os resultados. Softwares avançados permitem que os próprios equipamentos detectem falhas na linha de produção, avisem os programadores e encaminhem as soluções.

A unidade foi inaugurada em 2011. Em 2014, a divisão de turbinas da britânica Rolls Royce foi adquirida pela Siemens. “Há 10 anos, não teríamos condições de montar uma fábrica como essa. Seria preciso ter o dobro de funcionários e a fabricação dos diversos itens levaria duas vezes mais tempo”, afirma Lorin Sodell, diretor de Produção da empresa.

A Local Motors, empresa com sede em Phoenix, no Arizona, está avançando numa das possibilidades mais interessantes abertas pela manufatura avançada: a produção em larga escala, mas adaptada às preferências individuais dos clientes. É o que os especialistas chamam de customização em massa, o que só é possível com a capacidade de reconfigurar os modelos de produção com rapidez, de acordo com as demandas. A empresa testa a montagem de carros num sistema em que os chassis são produzidos em impressoras 3D a partir de modelos preexistentes. O processo permite até que os consumidores desenhem on-line o automóvel de sua preferência. A companhia espera poder comercializar os primeiros veículos a partir de 2018. (OF)

Fonte: http://www.em.com.br/

Fórum Industria 4.0 no Salão do Automóvel em SP

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Durante o evento Salão do Automóvel em São Paulo, acontece paralelamente um Fórum bastante interessante, ontem 18/11 dois painéis foram exatamente voltados a Manufatura-Inteligente:

O Comportamento de Compra e a Distribuição de Veículos no Brasil

E o outro: PRODUÇÃO E INDÚSTRIA 4.0 – COMO A INDÚSTRIA 4,0 TRANSFORMARÁ A FORMA COMO PRODUZIMOS O AUTOMÓVEL

Os palestrantes compartilharam, seus conhecimentos com o público presente, seguem alguns trechos interessantes:

Sergio Filho da Nielsen Brasil, trouxe ao Fórum a influência da geração Millennial como consumidores. Alguns pontos que chamaram a atenção:

-34% não pensam em comprar um automóvel

-72% querem ter um meio de transporte conveniente, seja qual for

– 81% enxergam um automóvel, como uma simples ferramenta de locomoção.

Outro dado interessante, é que a grande maioria não passa muito tempo na empresa, preferem o Home Office, minimizando o tempo de deslocamento, principalmente em grandes centros.

Sergio ainda mencionou que a aceitação dos produtos compartilhados para as novas gerações, tem cada vez mais aceite:

Asia 50% , EUA 20%, Europa 17%, APAC 45% e na América do Sul 22% gostam da ideia de compartilhamento.

Na sequência Lucas Teixeira do Itaú-Unibanco CUBO, também compartilhou dados interessantes e relevantes, como:

81% da geração atual, quer estar todo o tempo conectados, e 66% da geração imediatamente anterior (pais), tem o mesmo desejo.

Outro dado importante, é que ninguém mais quer ter cabos/fios, tudo wireless, e trocam facilmente a tradicional TV, por tablets, smartphones, onde podem acessar a programação que desejar, com maior comodidade.

70% buscam as informações que necessitam on-line

Finalizou dizendo que: Startups focados em clientes, impulsionam a revolução que estamos passando.

O Sr. Celso Placeres do grupo Volkswagen, trouxe alguns dados da Industria automobilística, atualmente somente 40% da capacidade de produção de veículos na América do Sul, está sendo utilizada, e que para tanto, estão se reinventando, implantando conceitos da Industria 4.0, tanto em suas plantas, como em seus fornecedores. Tecnologias como: Iot, RFID, Smart Factory, MES, robôs colaborativos, entre outras, já fazem parte das plantas da Volkswagen no Brasil.

 

Por: Danilo Lapastini

Carros elétricos deverão emitir alerta para cegos

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Os Estados Unidos vai começar a exigir que os carros elétricos emitam um alerta sonoro enquanto estiverem andando em baixa velocidade.

Um departamento de segurança rodoviária dos Estados Unidos vai começar a exigir que os carros elétricos emitam um alerta sonoro enquanto estiverem andando em baixa velocidade. Segundo o órgão, a medida é necessária porque os veículos movidos a bateria são muito tranquilos.

O objetivo é alertar pedestres com algum tipo deficiência visual ou totalmente cegos a detectar os carros. Segundo o departamento, a medida deve prevenir 2.400 acidentes por ano. Em velocidades mais altas, o ruído do vento e dos pneus é alto o suficiente para alertar as pessoas sobre a presença de um carro. “Todos nós dependemos de nossos sentidos para nos alertar sobre um possível perigo “, explica Anthony Foxx, secretário de Transportes dos EUA.

As fabricantes devem aderir à regra até o dia 1º de setembro de 2019.

As informações são do site Olhar Digital 

Manufatura Inteligente e Manufatura Enxuta, existe relação? – ALUNO REDATOR – Paulo Henrique A. Matheus – Politécnica

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Com o surgimento de estudos e aplicações de manufatura inteligente, pode haver questionamentos em relação ao seu valor na manufatura enxuta, mas muito pelo contrario a manufatura inteligente agrega muito a uma produção enxuta com suas aplicações utilizando as tecnologias existentes hoje. Para uma correlação sobre essas informações, podemos exemplificar utilizando os 8 desperdícios de Taiichi Ohno criador do Sistema Toyota de produção, onde ele lista as atividades que não agregam valor ao cliente, ou seja, o que o cliente não está disposto a pagar, gerando custos e tempo extra. Segue abaixo:
Superprodução: Este desperdício está relacionado a se produzir mais do que é necessário que a próxima operação necessita e/ou o cliente final. Utilizando a manufatura inteligente temos os softwares de simulação, onde pode-se otimizar processos atuais e desenvolver novos processos com um fluxo correto de acordo com a demanda necessária.
Movimentação: Movimentação desnecessária são as movimentações que não agregam valor ao produto. Na manufatura inteligente usando layouts 3D que junto com a simulação otimiza ou elimina movimentações desnecessárias de pessoas ou materiais buscando a melhor localização dentro da fabrica para cada operação.
Estoque: Estoques geram grandes custos para o sistema produtivo. Na manufatura inteligente utilizam-se sistemas integrados que englobam a cadeia fornecedor-indústriacliente, com esses sistemas se torna mais ágil essa comunicação, demonstrando um ganho significativo no processamento de pedidos nesta cadeia o que viabiliza a redução de estoques.
Transporte: Transportes desnecessários dentro das operações ou na cadeia produtiva geram custos extras. As manufaturas inteligentes com as tecnologias buscam melhorar as questões logísticas, utilizando RFID (Identificação por radio frequência) se tem uma informação do que se é transportado e também é possível gerir os estoques no exemplo de desperdício acima, outra grande utilização são as melhorias de rotas por simulação.
Espera: Espera no sistema produtivo é sempre impactante pois o sistema está parado gerando custos. Assim como no desperdício superprodução as simulações conseguem identificar gargalos que façam as atividades e/ou processos predecessores ficarem parados. Utilizando as analises pode se melhor o fluxo produtivo.
Defeitos: Um defeito nunca é bem-vindo tanto para clientes internos ou externos alem de gerar retrabalhos, impacta na imagem da empresa. Hoje na manufatura inteligente existem varias contribuições para que se tenha um controle, como medições in-line, rastreabilidade, automação que gera informações dos processos produtivos em tempo real e sistemas de qualidade que conecta a cadeia produtiva.
Superprocessamento: O superprocessamento são atividades que não agregam valor ao produto como atividades repetidas ou redundantes. Podemos exemplificar, um produto tem as mesmas características que são controladas nos fornecedores e na industria, utilizando a manufatura inteligente pode-se utilizar sistemas integrados que junto com a rastreabilidade, visualizar os dados do fornecedor eliminando a re-inspeção.
Não utilização da capacidade intelectual: Este desperdício já pelo nome se sabe o que significa. Na manufatura inteligente este item é extremamente importante, em todas as áreas da empresa e diversos setores industriais o conhecimento de cada especialidade é decisivo para o desenvolvimento de novas tecnologias, nada melhor que o próprio utilizador das ferramentas para saber o que é necessário, assim como o interesse de todas as áreas no desenvolvimento da manufatura inteligente dentro do seu processo ou do seu setor produtivo.

Escrito por: Paulo Henrique Alves Mateus Engenheiro de Manufatura no setor automotivo e aluno de pós graduação da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo no Curso de Gestão e Engenharia de Qualidade.

PROJETO: ALUNO REDATOR – MANUFATURA-INTELIGENTE