Indústria 4.0 promoverá o aumento de vagas de emprego

Indústria 4.0 promoverá o aumento de vagas de emprego

Posted by: Fernanda Samizava in Indústria 4 de novembro de 2015 0 89 Views
As novas tecnologias industriais digitais, conhecidas popularmente como Indústria 4.0, irão transformar a mão de obra industrial. O número de empregos criados será maior do que o de vagas reduzidas, entretanto, os trabalhadores terão que desenvolver diferentes habilidades. Por meio de tecnologias como realidade aumentada, os fabricantes podem ajudar os profissionais a permanecerem ou regressarem ao mercado de trabalho em funções completamente novas. Esses resultados são apresentados em um relatório inédito do The Boston Consulting Group (BCG) intitulado ‘Man and Machine in Industry 4.0: How Will Tecnology Transform the Industrial Workforce Through 2025?‘ .
Para entender como a mão de obra industrial vai evoluir com a Indústria 4.0, os autores do estudo analisaram os efeitos que essas novas tecnologias terão na indústria de manufatura alemã. A previsão é um aumento líquido de cerca de 350 mil empregos na Alemanha até 2025. O aumento na utilização da robótica e informatização irá reduzir o número de postos de trabalho na montagem e produção em cerca de 610 mil. Entretanto, essa queda será compensada pela criação de cerca de 960 mil novos postos de trabalho, especialmente nas áreas de TI e ciência de dados.
“A ideia de que a implementação da Indústria 4.0 resulte na perda de muitos postos de trabalho tradicionais de produção no chão de fábrica é apenas uma parte da história”, diz Markus Lorenz, sócio do BCG e coautor do relatório. “Vendo pelo lado positivo, os avanços tecnológicos prometem beneficiar muitos trabalhadores, com uma perspectiva mais positiva sobre o mercado”, diz ele. Esses avanços irão criar muitos postos de trabalho em áreas como design de interface humana e manipulação de dados, por exemplo. Além disso, através da implementação de tecnologias, tais como sistemas de assistência robótica e realidade aumentada, os fabricantes irão ajudar os profissionais a voltarem ao mercado de trabalho, especialmente aqueles que foram forçados a saírem devido à falta de entendimento e experiência.
O BCG produziu a pesquisa em parceria com o IoT Analytics, um fornecedor de soluções para a Indústria 4.0 e internet das coisas. Os autores analisaram os efeitos quantitativos da Indústria 4.0 na mão de obra industrial, estudando como o uso dos dez casos mais influentes dessas tecnologias afetarão a evolução de 40 grupos de cargos em 23 indústrias na Alemanha. Para compreender como cada uso afetaria o número de funcionários necessários em grupos de trabalhos específicos, os autores trabalharam com 20 especialistas do setor para analisar como o uso promoveria ganhos de produtividade para as funções existentes ou criaria novas oportunidades.
A mão de obra terá de manter o ritmo com as mudanças: A Indústria 4.0 irá promover mudanças significativas na forma como os trabalhadores executam suas funções, e novos grupos de trabalho serão criados, enquanto outros se tornarão obsoletos. A forma como a Indústria 4.0, especialmente a robótica, irá substituir o trabalho humano continua sendo questão de debate entre os especialistas. Os fabricantes usarão cada vez mais a robótica e outros avanços para ajudar os trabalhadores. Isso significa que o número de empregos com atribuições físicas ou de rotina irá diminuir, enquanto o número de vagas que exijam respostas flexíveis, resolução de problemas e personalização irá aumentar. “Para ter sucesso em um local de trabalho em evolução, os trabalhadores terão que ser ainda mais abertos a mudanças, possuírem maior flexibilidade para se adaptarem a novos papéis e ambientes de trabalho, e se acostumarem com a aprendizagem contínua interdisciplinar”, diz Michael Russmann, sócio do BCG e coautor do relatório.
“Além de transformar a mão de obra, a Indústria 4.0 acelera a necessidade de novos tipos de habilidades de liderança e intensifica a competição por talentos em muitos países”, diz Rainer Strack, sócio sênior do BCG e coautor do estudo. Para dominar a variedade de desafios pela frente, as empresas precisam direcionar a atenção ao planejamento estratégico da mão de obra. Oferta e demanda de modelagem podem ser usadas para produzir uma análise de lacunas abrangentes que levante ideias sobre as medidas necessárias, tais como o desenvolvimento de pessoas, transferências ou terceirização, e adoção de novas metas de recrutamento, que as empresas devem empreender.
Os stakeholders devem se preparar para a Transformação: As mudanças no perfil dos empregos têm implicações significativas para as indústrias, sistemas de educação e governos. Os autores oferecem recomendações aos líderes empresariais e políticos de como eles podem aderir a Indústria 4.0 e, assim, aumentar a produtividade e o crescimento da mão de obra industrial. As empresas precisam treinar seus colaboradores, renovar seus modelos de organização, e desenvolver abordagens estratégicas para o recrutamento e planejamento. Os sistemas de educação devem procurar fornecer conjuntos de habilidades mais amplas e fechar a lacuna iminente em habilidades de TI. Os governos podem explorar formas de melhorar a coordenação central de iniciativas que promovam a criação de emprego.
Fonte: Investimentos e Notícias

Indústria 4.0, será que todos estão de fato preparados? – Por Renan Cardoso

O tema indústria 4.0 tornou-se o assunto do momento. Se por sua vez a primeira revolução industrial trouxe a mecanização, a segunda ofereceu a eletricidade e os sistemas seriados de produção, junto com a terceira acompanhou-se o surgimento da internet, dos computadores, da eletrônica, robótica e automação. Já a quarta revolução industrial está trazendo consigo a conectividade e o digital, o “online” se faz presente em todos os aspectos.
            Robôs colaborativos, drones, impressora 3D, manufatura digital, big data, cloud, carros autônomos, internet das coisas, realidade virtual, esses e muitos outros assuntos não param de ser comentados nas redes. Para se ter uma ideia da importância deste tema, este ano, a quarta revolução industrial é destaque no fórum econômico mundial de DAVOS.
            Não se pode discordar que a tecnologia vem avançando a uma velocidade descomunal, como já era previsto pela Lei de Moore. Hoje estamos todos em rede e interconectados de alguma forma, a palavra online pode definir bem as transformações que estamos vivenciando. A quantidade de smartphones, informações e dados gerados, disponibilidade de conteúdo em qualquer hora e qualquer lugar, tudo isso vem moldando a sociedade em que vivemos.
            Se por um lado a tecnologia tem evoluído e se mostrado uma grande aliada para as comodidades e desenvolvimento humano, bem como da indústria, quais são os impactos sociais, culturais e econômicos dessa aceleração tecnológica? Quem de fato está preparado para essa nova revolução industrial?
            A transformação acarretada pela indústria 4.0 implica em inúmeras adaptações para as indústrias que desejam evoluir para esse novo paradigma, dentre elas podemos citar:
  1. Necessidade de integração entre todos os sistemas da cadeia de valor, evitando dessa forma que haja as tão famosas “ilhas de tecnologia”;
  2. Disponibilidade de informação rápida e em qualquer lugar, evidenciando a necessidade do uso da nuvem e de tecnologias móveis;
  3. Automação e robotização colaborativa, criando o link entre o trabalhador humano e os equipamentos, com o intuito de tornar os processos mais ágeis, flexíveis e produtivos;
  4. Internet das coisas, realidade virtual e realidade aumentada, permitindo uma fusão entre o real e o digital, tornando os processos, produtos, recursos e pessoas mais interconectados.
            De modo geral, as indústrias que estão falando de migração para a indústria 4.0 são aquelas que já vivenciam pelo menos há 10 anos a terceira revolução industrial, ou seja, já possuem bem firmados esses conceitos e práticas nas suas atividades cotidianas. É praticamente impossível para uma indústria que pouco conhece sobre automação e robótica querer dar um salto para essa nova revolução.
            Analisando o cenário da indústria, temos as grandes, médias e pequenas empresas concorrendo espaço no mercado econômico. Se ponderarmos a evolução industrial para o cenário de cada uma delas, pode-se dizer que em média a realidade da indústria atual está situada entre a segunda e a terceira revolução industrial. Isso ocorre, pois apenas uma pequena parcela está vivenciando os benefícios trazidos com a terceira revolução industrial e conseguem enxergar alguns possíveis passos a caminho da indústria 4.0. A maior parcela, ou seja, as pequenas e médias empresas estão vivenciando ainda a transição entre a segunda e a terceira revolução, de modo que muitas delas não possuem em sua rotina de trabalho processos automatizados e/ou robotizados, tão pouco dispõe de estruturação para suportar essa nova transformação.
            Empresas que já estão no mercado, mesmo empresas de grande porte, já estão enfrentando dificuldade em adaptar seus sistemas para se enquadrar as mudanças impostas por essa nova evolução. Verdade seja dita, as empresas greenfield, ou seja, aquelas que estão surgindo nos dias de hoje, possuem maior facilidade para se adaptar as mudanças impostas pela indústria 4.0, pois podem despontar já imersas nesse novo conceito.
            Estudos mostram que muitos empregos são gerados por pequenas e médias empresas. Outros ainda revelam que até 2020 praticamente tudo será digital. No entanto, o cenário visto nos dias de hoje, é que apenas uma pequena parcela das pequenas e médias empresas adotaram tecnologias para se tornarem digitais. Como preparar a transição dessas empresas para que possam continuar competitivas no mercado e possam continuar gerando empregos?
            Além desse fator, outro ponto crucial está no gap existente entre o mundo acadêmico e a indústria. Essa disparidade esta se tornando cada vez maior, se não ocorrer um alinhamento entre ambos os mundos, profissionais para essa nova realidade emergente serão cada vez mais escassos. Isso irá ocasionar um dilema onde haverá um número elevado de vagas disponíveis e ao mesmo tempo uma grande taxa de desemprego por falta de qualificação. Como preparar a nova geração de trabalhadores para esse novo cenário da indústria?
            Acredito que esses questionamentos devem ser estudados com cautela, para que seja possível traçar uma estratégia que permita essa transição, de modo a adequar as modificações necessárias em cada um dos segmentos industriais, tornando possível a migração para essa nova tendência. Tudo isso deve ser pensando para que os impactos econômicos, sociais e culturais sejam minimizados durante esse percurso.